A história do Trem do Vinho no Rio Grande do Sul

A história do Trem do Vinho no Rio Grande do Sul

A história do Trem do Vinho no Rio Grande do Sul

De antemão, o Trem Maria Fumaça no Vale dos Vinhedos é uma das atrações mais requisitadas do estado. No entanto, esse trem reserva muito mais do que entretenimento para os seus visitantes: ele guarda uma história fantástica. Assim, conheça a seguir a história do Trem do Vinho no Rio Grande do Sul.

A história do Trem do Vinho no Rio Grande do Sul

Agora vamos explicar como o que deveria ser um singelo meio de transporte marcou uma Era e transformou a vida de várias gerações.

Chegada dos Europeus na região

Antes de mais nada, vamos começar a narrativa com a chegada dos colonizadores europeus. No entanto, isso não diminui a importância das tribos indígenas que viveram no território dos Vinhedos (tupi-guaranis e jês), trata-se apenas de outra perspectiva.

Por que os europeus abandonaram seus países?

A princípio, o movimento migratório mais expressivo ocorreu em 1870, devido à unificação da Itália e Alemanha, a qual gerou miséria e insegurança para os cidadãos daqueles países. De fato, vieram muito mais italianos do que alemães, principalmente na região dos Vinhedos.

Curiosamente, a maioria dos italianos que se fixaram nos Vinhedos são provenientes das províncias do Vêneto (54%) e da Lombardia (33%).

Por que o Brasil chamou os imigrantes?

Por sua vez, o Império precisava desenvolver o país, pois fazia parte de seu plano de Independência. Não havia mão-de-obra livre e a maior parte do território do Brasil estava desabitada. Dessa forma, a chegada dos europeus traria desenvolvimento agrícola para o Sul do país.

Mais ainda, há uma teoria de que os governantes desenvolveram uma política de “embranquecimento” da população brasileira, a qual era amplamente representada por negros e índios.

Consequentemente, fez-se propaganda enganosa para trazer europeus ao Brasil para colonizar as terras até então ocupadas por índios e “bugres”.

Assim, a propaganda acima diz o seguinte: “Na América Terras no Brasil para os italianos. Navios em partida todas as semanas do Porto de Gênova. Venham construir os seus sonhos com a família. Um país de oportunidade. Clima tropical e abundância. Riquezas minerais. No Brasil vocês poderão ter o seu castelo. O governo dá terras e utensílios a todos.”

Como foi a ocupação do Vale dos Vinhedos?

Contudo, os imigrantes encontraram uma região desabitada, longe de tudo (clientes para seus produtos e serviços) e com poucos rios. Por exemplo, foi preciso abrir trilhas no meio da mata e trabalhar muito para transformar a região em colônias e, posteriormente, em cidades.

Além disso, em muitas oportunidades os imigrantes europeus e os índios entraram em confronto brutal, pois a terra, até então, estava por eles ocupada.

De qualquer forma, não podemos negar que, apesar das adversidades, esses imigrantes – em sua maioria italianos – urbanizaram o Vale dos Vinhedos em tempo recorde. Logo, em questão de 100 anos (de 1870 a 1970) construíram estradas, casas, prédios, polos comerciais e agrícolas em um nível extraordinário.

Em resumo, devemos dar o crédito a quem é devido: essas pessoas vieram sem nada para o Rio Grande do Sul e desenvolveram uma parte importante do Estado. Em outras palavras, foram verdadeiros guerreiros.

Desenvolvimento do Vale dos Vinhedos

Primeiramente, em 1870 o Presidente João Sertório desmembrou as colônias de Conde D’Eu (Garibaldi) e Dona Isabel (Bento Gonçalves) da cidade Montenegro. Assim, inaugurou o processo de colonização e desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul.

Curiosamente, Conde D’Eu era o genro do Imperador à Época – Dom Pedro II, casado com a Princesa Isabel.

Nesse ínterim, em 1900, Conde D’Eu tornou-se cidade e levou o nome de Garibaldi (célebre guerreiro Farroupilha). Semelhantemente, Vila Isabel levou o nome de Bento Gonçalves (Comandante Farroupilha).

A história do Trem do Vinho no Rio Grande do Sul: Construção da Linha

Pouco depois, entre 1909 e 1919, a fim de viabilizar o escoamento da produção de vinho e demais produtos locais, desenvolveu-se a linha entre as cidades de Carlos Barbosa, Garibaldi e Bento Gonçalves.

Uma curiosidade bacana é o fato de que a cidade de Carlos Barbosa foi chamada em 1909 de Santa Luzia. Isso porque o engenheiro que construía a via férrea quis fazer uma homenagem à sua noiva, a professora belga Luiz Debauprés.

Primordialmente, a vitivinicultura tomou grande impulso com a extensão da Malha Ferroviária concluída em 1910. Dessa forma, a área plantada foi expandida e a produção de vinho foi elevada, de modo que o comércio se alastrou por meio do trem até Porto Alegre.

Pouco depois, por volta de 1978, um trem turístico foi inaugurado pela Administradora Federal do Trem Maria Fumaça. Assim, a esse trem turístico deu-se o nome de “Trem do Vinho”, em referência ao Vale dos Vinhedos.

Como resultado, seu percurso iniciava em Carlos Barbosa, passava por Garibaldi, Bento Gonçalves e terminava em Jaboticaba. Em suma, essa exploração turística durou em torno de 10 anos, pois a administradora parou de investir na manutenção das linhas férreas e o passeio tornou-se perigoso.

Em 1992 a administração do trem entrou Programa Nacional de Desestatização (PND), do Governo Collor e a Giordani Turismo assumiu a operação da Linha Bento Gonçalves – Garibaldi -Carlos Barbosa e, assim tem sido desde então.

A história do Trem do Vinho no Rio Grande do Sul: Curiosidades Técnicas

Hoje, Bento Gonçalves conta com 2 máquinas a vapor (fotos acima) em funcionamento. Em primeiro lugar, vemos na imagem acima (à esquerda) a Locomotiva American Locomotive Company – 156-5M – Mikado, fabricada nos Estados Unidos em 1941.

Por outro lado, há também a Locomotiva Jung (à direita), máquina alemã construída em 1954, que transporta sete carros que pesam aproximadamente 330 toneladas.

Por fim, há a Locomotiva ALCO 0-6-0 nº 6, fabricada em 1919, exposta no pátio da Estação Ferroviária de Bento Gonçalves.

Trem do Vinho e o Protagonismo Turístico

Conforme já mencionamos, a partir de 1992, a Família Giordani assumiu a operação do Trem do Vinho. Assim, deu-se sequência ao tour que percorre as estações de Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa. Atualmente, o Trem do Vinho é sucesso internacional e recebe milhares de turistas a cada ano.

Em síntese, são 23 quilômetros de percurso em cerca de duas horas de passeio. Bem assim, durante o passeio, há apresentações de um coral típico italiano, com show de tarantela, teatro e um brilhante repentista.

Produções Cinematográficas no Trem

Ademais, a magnitude da arquitetura e a energia épica do Trem do Vinho é tamanha, que a Locomotiva e suas Estações já apareceram em diversas novelas. Por exemplo, a novela Tempo de Amar (2006) com o Tony Ramos, na Estação Férrea de Bento Gonçalves.

Além disso, o Trem do Vinho já foi destaque em grandes produções do cinema e da televisão brasileira. Só para ilustrar:

Mais ainda, Chitãozinho e Xororó gravaram um DVD inteiro na Estação Férrea de Garibaldi: “Ao Vivo em Garibaldi” em 2003.

Tour Uva e Vinho

Sobretudo agora que você compreendeu o alcance da bagagem histórica do Trem do Vinho e da região do Vale dos Vinhedos, deve estar curioso para viver a experiência. Afinal, o melhor aprendizado é aquele experimentado, não é mesmo?

Primordialmente, o passeio mais procurado é o Tour Uva & Vinho, um combo que inclui:

  • Passeio de Trem Maria Fumaça com degustação de sucos e vinhos e shows;
  • Ingresso no Espetáculo Epopeia Italiana;
  • Compras no Varejo Tramontina, Queijaria Italiana, Trufas Artesanais e Malharia;
  • Visita com degustação à Vinícola Garibaldi;
  • Almoço em Cantina Italiana.

Em suma, trata-se de um passeio de um dia, direcionado aos visitantes das cidades de Gramado e Canela. Bem assim, a empresa busca os visitantes em seus hotéis ou pousadas de manhã e os conduz até o Vale dos Vinhedos. Após a conclusão do tour, a agência leva os visitantes novamente para Gramado ou Canela à noite.

Todavia, se você deseja saber mais sobre o Tour Uva & Vinho, leia a matéria Passeio de Maria Fumaça no Rio Grande do Sul e Tour Uva&Vinho Dicas Especiais. Nesse sentido, leia também Tour Uva&Vinho e a Pandemia.

Ademais, se você ficou com alguma dúvida a respeito do tema ou sobre como proceder para comprar o Tour, chame nossa equipe no whatsapp:

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